10/08/2026

Viajando de volta para casa

 

Cidade de Whiterun, de TESV: Skyrim

Essa não é uma análise gigantesca de Skyrim. Eu não sou um pró player e nunca terminei a missão principal. Mas passei um ano vivendo nessa província, em 2018.

Sempre acho emocionante postagens com prints de chats ingame onde amigos se despedem um dia e nunca mais voltam a jogar. A forma que me despedi de Skyrim pela primeira vez foi parecida. Depois de enfrentar a liga dos assassinos, poupar o bobo da corte, e conseguir a armadura dos ladrões, me vi preso em um labirinto Dwarven.

Eles são seres metálicos, autômatos (tudo aqui estou tentando citar da memória, sem me ater aos fatos científicos), e muito fortes. Suas fortalezas Decò automatizadas sempre me pareceram impenetráveis. Mal sabia eu que minha dificuldade seria em sair.

Lembro ainda que consegui chegar a um tipo de portal dimensional de teletransporte, entre uma caverna e outro lugar aberto, mas ali eu já me sentia completamente perdido.

Mas foram bons momentos. Meu arco de vampiro foi triunfante, desde a libertação da Serana até o banquete na mansão.

Eu fui pelo caminho mais fácil: era um arqueiro stealth. Vi muitos dizendo que era build de personagem covarde, mas não é segredo pra ninguem, está no contrato ser mata e corre.

Eu gostava de invadir vilas de orcs, pescar, e caminhar pela floresta. Minha arma favorita eventualmente era uma balestra. E tive um cachorro por um tempo.

Comprei minha casa, não me casei. Colhia repolhos.

Uma vida toda vivida, onde jogar se misturava muitas vezes com meus sonhos, foi perdida entre uma troca de computadores.

Uma vida que eu gostaria de lembrar.

Hoje, retorno ao jogo com meras 11 horas, que não refletem nem um dia completo de sol. Mas retorno com memórias vívidas de lugares que quero revisitar, e personagens que quero reencontrar para ouvir de novo suas histórias no bar.

A pé, com um arco nas costas e skooma no bolso: estou viajando de volta para casa.

18/07/2026

Imagine o Duo feliz

Eu fiz um desafio comigo mesmo: fazer 1 ano de Duolingo e não parar; justamente quando consegui a ofensiva perfeita, decidi não me importar mais.

Em algum momento perto do final do ano, cada mensagem ou notificação do Duo sobre a ofensiva tinha virado um tipo de "mais trabalho" pra eu fazer. O exercício diário de 15 minutos com tempo dedicado virou algo que eu fazia apenas se sobrasse tempo - um exercício feito corrido no último minuto da noite.

Tudo indo bem.

Preso. Uma coruja digital, neon, estava negociando com meu cérebro.

Fazer todos os dias, era esse o objetivo? Conseguiram, por bem ou por mal.

A ofensiva pra mim é um bom lembrete diário do meu avanço e das palavras novas que carrego no bolso. Essa gamificação acaba funcionando muito para quem gosta. Eu aprendi a gostar.

Mas, em algum momento, percebi que eu estava sendo jogado em vez de jogar.

Não sei, sou?

A existência das ligas dentro do app acabou se tornando algo que não significava muito para mim. Não era pela competição que eu tinha começado.

Estou aprendendo para mim mesmo pensando numa viagem sem destino específico e sem data marcada para um país que nem sei se vai me receber, então não tenho pressa.

Perder um dia ou dois e ficar sem bloqueios não ia tirar de mim o que aprendi até lá. Hoje, levo isso mais numa boa. O jogo te deixa recuperar a ofensiva perdida, eventualmente.

Consistência não significa ser perfeito.

Foi um processo lento até eu perceber que esses números são inventados. Eles não existem. Aprender um idioma novo pra mim é como caminhar por um campo verde, uma natureza intacta cheia de coisas para descobrir e viver sem obrigações: não quero ver isso e criar o Excel 2.

Por fim, ao fazer uma atividade, sei que todos nós gostamos de ver o Duo feliz. Mas, caso não faça essa tarefinha e seu dia ficar congelado, imagine.

Imagine o Duo feliz.

Vai, Jack!


14/07/2026

Como essa caneta (quase) descartável venceu meu perfeccionismo



Crescendo num mundo com tanta tecnologia, nos tornamos grandes acumuladores de apps de anotação, listas digitais ou grupos solitários de avisos no Whatsapp. A simplicidade de ter tudo no celular por um preço de armazenamento quase nulo, pode acabar fazendo um indivíduo se tornar um grande viciado em organização e anotações, ou o maior desastre ambulante no quesito lembretes.

Crescemos pensando que, a qualquer momento, nunca mais vamos precisar de uma caneta.

Foi nesse cenario que, inesperadamente, eu estava em uma situação onde o dispositivo mais ágil ao meu alcançe era uma caneta simples e sem conexão de dados. Uma Energel X que comprei por indicação de um colega na faculdade, por ter tinta de gel. Até ali, eu não ligava muito.

Pentel Energel X em meados de 2019


Ponta fina (0.7), tinta flúida e corpo leve. Alta cobertura e a confiança de que não ia falhar no momento em que eu precisasse. Pouco a pouco eu fazia mais e mais anotações, e ela me salvava várias e várias vezes. 

Como ilustrador, passei a usar ela pra desenhar diariamente, uma barreira forte que sempre tive. Pensava que, por ser uma caneta barata num papel barato, não precisava ficar com pena de rabiscar umas coisas. Nisso grandes ideias já me surgiram. Ilustrações, textos... Músicas.

Foi quando decidi elevar o nível: precisava de uma caneta séria, estava no mercado de trabalho agora e queria manter esse conforto da tinta gel com um pouquinho de personalidade. Testei dois anos a Pentel Energel Permanent (com uma super tinta anti fraude), mas assinei com ela poucas coisas dignas de serem fraudadas.

Pentel Energel Permanent numa reunião em 2023

Presenteei uma antiga colega de trabalho com esse modelo, e logo em seguida descobri a Clena, com belíssimos tons de tinta azul e um corpo em tom pastel delicado. Presenteei minha mae com uma dessas, ela adora azul.

Esse parêntese onde comecei a presentear pessoas queridas com canetas duradouras e bonitas foi importante para eu perceber que, muitas vezes, objetos simples podem carregar um peso emocional e um signifiado bem maiores. Minha *melhor* amiga assinou os papéis do primeiro apartamento dela com uma Clena como essa da foto:

Pentel Energel Clena (Azul)

"Amei a menção sobre a caneta que você me deu de presente. Realmente, ela é uma caneta que eu deixo na minha bolsa, mas eu detesto usá-la para coisas fúteis. Eu gosto de usar ela para as coisas importantes; uso pouquíssimas vezes. Minha bebezinha está sempre protegida. Acho que, quando a tinta dela acabar — você falou que ela é recarregável — vou querer recarregar e manter ela sempre como essa lembrança da assinatura do meu primeiro apartamento. Eu acho isso muito lindo."

- GWaii
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Bom, foi aí que encontrei a caneta que resolveu minha vida. Barata, muito barata. Mais ainda numa promoção da Amazon. Arrisquei por saber agora que os tubos de tinta pra todos esses modelos são compartilháveis e substituíveis, então não me decepcionaria com o desempenho.
A Pentel Energel Makuro: corpo preto, simples, discreto, como um hashi. Tampa com clipe em acrílico, na cor da tinha (meu exemplar era preto). Eu não soube porque uma caneta de corpo tão simples foi a resposta ideal pras minhas necessidades de note taking. Passei a levá-la pra todo lado. Desenhei três vezes mais, e hoje acredito que estou na quinta Makuro.

Interiores expostos (Permanent à esquerda e Makuro à direita)



Quando saco meu sketchbook (que logo terá seu próprio post aqui) e a Makuro, sinto que posso projetar qualquer coisa. Sei que ela não vai cair, não vai escorregar. Posso fazer até acrobacias de mão com ela enquanto espero uma reunião.

Com vocês, a melhor caneta de todas (pra minha realidade, na minha opinião):








Honestamente:

Borra? Pra canhoto sim, mas aprendi a escrever sem brigar com a tinta.
Acaba rápido? Eu faço desenhos densos, com grandes blocos pretos, e dura uns seis meses de uso diário. Se você for só fazer reunião, vai um ano fácil.
Falha? Quando a tinta acaba pode ser um sinal, mas depois da primeira falha ainda aguenta uma semana, o prazo da nova chegar.
Preço? Entre 20 e 9 reais, quase sempre 9 reais. O mais caro que paguei foi 15, por estar realmente precisando na época para desenhar.

Eu não quero fazer ninguém aqui virar fã de caneta, mas sim refletir sobre como um objeto relativamente descartável pode fazer parte da sua história de um jeito legal se você deixar. Sabe, assinar aquele documento importante com uma caneta importante pra você, pode fazer tudo ter mais significado, como um fechamento de ciclo, no bom sentido.

Ainda compro outras canetas e uso alguns modelos diferentes de vez em quando. Já tenho meu marcador favorito e até meu lápis. Mas quando preciso rabiscar algo sem pensar, e vasculho a mochila por 10 segundos atrás de algo para escrever, sei que minha katana gel stealth vai estar pronta pra mais um risco. 

No fim das contas a Makuro não tem algo de secreto na composição da tinta ou no corpo: ela é minha favorita por sempre estar comigo quando as boas ideias aparecem.


08/07/2026

Antonelli não parou.



Uma prova que só pode ser definida como caótica teve sua reviravolta constatada apenas do meio da corrida para a frente. Na verdade, pensando bem, a largada sensacional das Ferraris já foi uma novidade.

Agora imagine, no último terço da corrida, com uma vitória à frente, depois de vir ganhando posições e quase enxergar o primeiro lugar, o carro parar de responder aos avanços no acelerador.

Foi isso que trouxe um clima de tristeza entre meus amigos e eu quando Kimi Antonelli relatou o problema mecânico. Pior: quando vimos o carro reagir mal na pista. Para mim, esse episódio revelou uma demonstração de autoconfiança e perseverança do rapaz que eu ainda não conhecia.

Após ser convidado diversas vezes para abandonar a prova, o piloto italiano foi contra a recomendação do rádio e lutou muito para manter seu carro pelo menos no 10º lugar no pelotão. Mas as curvas ficaram difíceis, e ele acabou recebendo uma punição por sair da pista.

Mas ele ainda não sabia.

Decidiu ficar e, no meio dessa luta, Max Verstappen, que quase liderava, desliza e termina sua corrida fora da pista, com o carro parado de frente para a torcida de Lando Norris.

Verstappen posa para foto na frente da torcida errada (Reddit)

Linha por linha, seu nome descia no grid da tela, revelando Antonelli agora em 9º lugar.

Mas sem a punição ainda.

Decidiu ficar, lutar e defender seu ponto: mesmo que fosse apenas um único ponto. Todos importam.

Infelizmente, sua punição por dirigir erraticamente na pista lhe custou 5 segundos, levando-o para o 15º lugar na tabela final de posições e revelando que o rapaz não pontuaria.

Essa corrida foi dele, vencendo ou não, e do nosso trunfo nacional Gabriel Bortoleto, que chegou em oitavo lugar e trouxe para casa mais 4 pontos no campeonato.

Claro, meus parabéns a Charles Leclerc por conseguir desviar das tentativas de sabotagem da Ferrari.

Meu amigo fez um jogo assustador!!!

 

Tela de abertura do jogo

Essa semana meu amigo Nick ta trabalhando em um projeto interessante de jogo em grupo. Atualmente, apelidado de "Fuja do Maligno", o jogo conta com um labirinto escuro e muito suspense a cada curva.

Acho que é um momento ótimo para esse tipo de exercício, com o lançamento do Mecha Chameleon e a ressaca de minigames que passamos desde o trágico boom de Among Us na pandemia.

Viajando de volta para casa

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